Porque é que os preços do cobre estão a ultrapassar os 13.000 dólares por tonelada?
Os preços do cobre disparam para níveis recorde devido às preocupações com a oferta e a procura do sector tecnológico, embora alguns analistas contestem a escassez no mercado.
Os preços do cobre dispararam para máximos históricos, ultrapassando os 13.000 dólares por tonelada métrica na segunda-feira, impulsionados por uma forte combinação de receios de escassez de oferta e expectativas de enorme procura por parte dos sectores da tecnologia e da energia verde.
O cobre, um metal industrial crucial para o fabrico de cabos de energia, viu o seu preço elevado em 40% no ano passado. Esta subida é impulsionada pelo crescimento explosivo da inteligência artificial, que exige grandes centros de dados, e pela expansão do mercado de veículos elétricos — ambos setores que exigem uma grande quantidade de cobre.

Tensões no fornecimento e nervos geopolíticos
Embora a procura esteja a aumentar, o lado da oferta está a emitir sinais de alerta. A recente turbulência na Venezuela, onde os EUA assumiram o controlo temporário após a captura do Presidente Nicolás Maduro, intensificou as preocupações globais com a segurança das cadeias de abastecimento de minerais críticos.
"Os metais, incluindo o cobre, estão a valorizar-se em torno dos temas dos minerais críticos e da segurança das cadeias de abastecimento na nova ordem mundial, que se torna ainda mais evidente com os últimos acontecimentos na Venezuela", observou Duncan Hobbs, diretor de investigação da Concord Resources. Embora a Venezuela não seja um produtor conhecido de cobre refinado, a situação realça riscos geopolíticos mais vastos.
Esta ansiedade é agravada por interrupções diretas em grandes minas. Um acidente na gigantesca mina Grasberg da Freeport-McMoRan, na Indonésia, em setembro, e uma greve na mina Mantoverde da Capstone Copper, no norte do Chile, reforçaram a narrativa de um mercado mais restritivo.
O elevado custo da nova produção
Os analistas alertam que o mundo precisa de investimentos significativos em nova produção de cobre para satisfazer a procura futura, mas preços mais elevados são um pré-requisito.
"Os preços do cobre precisam de subir ainda mais para persuadir as empresas mineiras a gerar uma nova produção significativa", disse John Meyer, analista da SP Angel. Salientou que muitas minas existentes estão a envelhecer e a operar para além da sua capacidade projetada, o que aumenta o "risco de falhas catastróficas, como se verificou no deslizamento de lama em Grasberg, na Indonésia".
Os analistas do Citi prevêem que a produção de cobre refinado atinja 26,9 milhões de toneladas este ano, deixando o mercado com um défice de 308 mil toneladas. Segundo Meyer, a viabilidade económica da mineração é um obstáculo crucial. "Prevemos que o preço de equilíbrio para o desenvolvimento da próxima geração de novas minas de cobre ultrapasse os 13 mil dólares por tonelada", explicou.
Os stocks dos EUA e uma perspectiva contrária
A possibilidade de tarifas americanas sobre as importações de cobre acrescenta mais uma camada à dinâmica do mercado. Isto desencadeou um intenso fluxo de cobre para os Estados Unidos, principalmente proveniente dos armazéns da Bolsa de Metais de Londres (LME), à medida que os negociadores se apressam a enviar o metal antes de qualquer possível tributação. O cobre recebeu uma isenção tarifária que entrou em vigor a 1 de agosto, mas a política de importação continua sob revisão.
A 2 de janeiro, os stocks de cobre em armazéns registados na Comex, empresa sediada nos EUA, aumentaram 400% desde abril, atingindo 499.841 toneladas curtas (453.450 toneladas métricas).
No entanto, nem todos concordam que a actual subida dos preços se justifique. A analista da Macquarie, Alice Fox, defende que os fundamentos do mercado contam uma história diferente. Estima que outras 360 mil toneladas de cobre estejam armazenadas fora das bolsas de valores nos EUA.
"Nem tudo isto será metal 'novo', mas sugere que o mercado global teve um excedente considerável de mais de 500 mil toneladas no ano passado", afirmou Fox, dando a entender que os preços actuais podem estar desligados da realidade do mercado físico.


