O ouro deverá atingir os 5.000 dólares até ao primeiro trimestre de 2026, prevê o UBS.
A UBS projeta que o ouro atinja os 5.000 dólares até 2026, impulsionado pelos riscos macroeconómicos, o que indica uma subida generalizada do preço das commodities.

Uma poderosa combinação de compras por parte dos bancos centrais, défices fiscais crescentes, taxas de juro mais baixas nos EUA e risco geopolítico persistente deverá impulsionar os preços do ouro para 5.000 dólares por onça até ao primeiro trimestre de 2026, de acordo com uma nova previsão da UBS Wealth Management.
Dominic Schnider, Head of Commodities APAC Forex CIO da empresa, afirmou que as commodities deverão assumir um papel mais significativo nas carteiras de investimento em 2026. "As nossas previsões apontam para retornos atrativos, sustentados por desequilíbrios entre a oferta e a procura, riscos geopolíticos elevados e tendências de longo prazo, como a transição energética global", observou.
Cronograma detalhado do preço do ouro da UBS para 2026
O gigante bancário suíço elevou significativamente o seu objetivo para o preço do ouro. Num relatório recente, os estrategas delinearam uma trajetória clara para o metal precioso:
• Atingir o preço de 5.000 dólares/oz até março de 2026.
• Manter o preço nos 5.000 dólares/oz até setembro de 2026.
• De moderado a 4.800 dólares/oz até ao final de 2026.
Esta meta atualizada para o final do ano, de 4.800 dólares, representa um aumento substancial de 500 dólares em relação à previsão anterior do banco, de 4.300 dólares por onça.
A UBS prevê que a procura de ouro tenha um aumento constante ao longo de 2026, impulsionada pelos baixos rendimentos reais, pelas contínuas preocupações económicas globais e pelas incertezas da política interna nos Estados Unidos, particularmente em torno das pressões fiscais e das eleições intercalares.
O cenário otimista: como o ouro pode chegar aos 5.400 dólares
O relatório destaca também um cenário em que os riscos políticos ou financeiros poderiam impulsionar ainda mais os preços. "Se os riscos políticos ou financeiros aumentarem, o preço do ouro poderá subir para 5.400 dólares por onça", escreveram os estrategas. Esta é uma revisão em alta da estimativa máxima anterior de 4.900 dólares por onça.
Os acontecimentos geopolíticos recentes demonstraram o seu poder de influenciar os mercados. Depois da notícia de que os EUA tinham deposto o ex-Presidente venezuelano Maduro, o ouro à vista abriu em forte alta e continuou a subir, chegando a ser negociado nos 4.491,20 dólares na terça-feira.

Figura 1: Um gráfico financeiro mostra a recente valorização do preço do ouro, que subiu em direção ao nível de 4.500 dólares, no meio de eventos que impactaram o mercado.
Um mercado em alta mais amplo para as commodities
Embora o ouro continue a ser um foco importante, o UBS vê oportunidades em todo o complexo de commodities, que está preparado para retornos atrativos. Schnider identificou diversas áreas de interesse:
• Cobre e alumínio: Prevê-se que ambos os metais enfrentem escassez de oferta, o que poderá impulsionar o aumento dos preços. A procura é estruturalmente sustentada pela transição global para a energia limpa e pela electrificação generalizada.
• Petróleo bruto: Prevê-se que os preços comecem a recuperar no segundo semestre do ano, à medida que o excedente actual diminui devido ao sólido crescimento da procura e à moderação da oferta dos países não pertencentes à OPEP+.
• Agricultura: Este sector apresenta também oportunidades específicas.
Estratégia de Portfolio e Diversificação
Schnider enfatizou o valor das commodities como instrumento de diversificação de carteiras, especialmente em períodos de turbulência no mercado. "Os retornos são geralmente mais expressivos quando os desequilíbrios entre a oferta e a procura ou os riscos macroeconómicos — como a inflação ou os eventos geopolíticos — são elevados", explicou.
Em condições favoráveis, o UBS sugere uma alocação de até 5% num índice diversificado de matérias-primas para ajudar a proteger contra choques inesperados.
Concluindo a sua análise, Schnider reiterou a postura positiva da empresa. "Gostamos de uma ampla exposição a matérias-primas, ouro e ações selecionadas ligadas a matérias-primas", disse, citando a combinação atraente da dinâmica da oferta e da procura, os fatores geopolíticos e a transição energética em curso.


