O Morgan Stanley prevê um preço do ouro nos 4.800 dólares em meio à iminência de cortes nas taxas de juro.
Prevê-se que o ouro atinja os 4.800 dólares até 2026, impulsionado pelos cortes das taxas de juro, pelas compras por parte dos bancos centrais e pelos riscos geopolíticos.
Os preços do ouro estão prestes a bater recordes, com o Morgan Stanley a prever uma subida para 4.800 dólares por onça até ao quarto trimestre de 2026. O banco atribui a perspetiva otimista a uma poderosa combinação de queda das taxas de juro, compras contínuas por parte dos bancos centrais e risco geopolítico persistente, que impulsionam a procura pelo clássico ativo de refúgio seguro.
O metal precioso já está numa trajetória histórica. O ouro à vista atingiu um máximo histórico de 4.549,71 dólares por onça a 26 de dezembro de 2025, fechando o ano com uma valorização de 64% — o seu melhor desempenho anual desde 1979.

A flexibilização monetária da Fed e as compras do banco central impulsionam a subida.
Numa nota de research de 5 de janeiro, o Morgan Stanley detalhou as mudanças macroeconómicas e políticas que sustentam a sua previsão. Um ciclo de flexibilização monetária esperado por parte da Reserva Federal dos EUA é um factor primordial, uma vez que taxas de juro mais baixas reduzem o custo de oportunidade de manter activos que não geram rendimento, como o ouro.
Este apoio fundamental é amplificado pelas compras agressivas de bancos centrais e fundos de investimento globais. O Morgan Stanley destacou um "forte sinal" de confiança no ouro a longo prazo: pela primeira vez desde 1996, o metal precioso ultrapassou os títulos do Tesouro dos EUA em participação nas reservas globais dos bancos centrais.
"Vemos um potencial de subida adicional para o ouro, impulsionado pela queda do dólar norte-americano, forte compra por ETFs, compras contínuas por parte dos bancos centrais e um cenário de incerteza que sustenta a procura por este ativo de refúgio seguro", explicou Amy Gower, estratega de metais e commodities de mineração do Morgan Stanley.
Esta última projeção representa uma melhoria significativa face à previsão do banco de outubro de 2025, que já tinha elevado a sua projeção para o ouro em 2026 para 4.400 dólares por onça.
Pontos de tensão geopolítica reacendem a procura por refúgios seguros
Os recentes acontecimentos geopolíticos agravaram a situação. Os preços do ouro dispararam esta semana depois da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelas forças militares norte-americanas, o que gerou ondas de choque nos mercados energético e financeiro.
"A situação em torno da Venezuela reativou claramente a procura de ativos de refúgio, mas isto soma-se às preocupações já existentes sobre geopolítica, fornecimento de energia e política monetária", observou Alexander Zumpfe, operador de metais preciosos da Heraeus Metals Germany.
Tradicionalmente, os investidores recorrem ao ouro em períodos de tensão económica e política. Embora o Morgan Stanley não tenha citado os acontecimentos na Venezuela como um fator determinante para o seu objetivo de 4.800 dólares, o banco reconheceu que estes momentos críticos reforçam o apelo do ouro como reserva de valor.
Wall Street reage com perspetivas otimistas para o ouro.
O Morgan Stanley não está sozinho na sua postura otimista. Outras grandes instituições financeiras estão também a rever em alta as suas previsões para o ouro.
• O JPMorgan Chase elevou a sua previsão para 5.000 dólares por onça até ao quarto trimestre de 2026, com um objetivo a longo prazo de 6.000 dólares. Natasha Kaneva, responsável pela Estratégia Global de Commodities, afirmou que "as tendências que impulsionam esta recuperação dos preços do ouro não se esgotaram".
• Os analistas do ING também vêem mais potencial de subida, citando as compras dos bancos centrais e as expectativas de novos cortes nas taxas de juro da Fed como pilares fundamentais de suporte para o metal precioso.
Kaneva apontou a contínua diversificação em ouro por parte dos bancos centrais e dos investidores como uma tendência fundamental, impulsionada pela incerteza comercial e pelas tensões geopolíticas em curso.
Um dólar mais fraco e o aumento do fluxo de investidores impulsionam o mercado.
A perspetiva para o dólar norte-americano oferece mais um fator positivo para o ouro. O dólar terminou 2025 com uma queda de aproximadamente 9%, o seu pior desempenho desde 2017. Um dólar mais fraco torna o ouro, que é cotado em dólares, mais barato para os detentores de outras moedas.
A procura dos investidores também está em alta. Os fundos negociados em bolsa (ETFs) lastreados em ouro físico registaram entradas recorde, indicando um forte interesse tanto por parte dos participantes institucionais como dos investidores individuais.
"Até mesmo os compradores não profissionais, ou os investidores de retalho, estão a entrar na corrida ao ouro", escreveram os analistas do Morgan Stanley, acrescentando que esta procura é ainda mais impulsionada pela mudança de foco, com a saída de ativos denominados em dólares.
Efeito cascata: A prata e o cobre também ganham terreno
Embora o ouro seja a principal escolha da Morgan Stanley no setor das matérias-primas, o banco observa um bom desempenho em todo o complexo de metais.
Prata
Os analistas acreditam que 2025 marcou o pico de um défice estrutural de oferta de prata, com novas exigências de licenças de exportação na China a aumentar os riscos ascendentes. O metal valorizou 147% no ano passado, o seu maior ganho anual de que há registo, impulsionado pela procura industrial, pelos fluxos de investimento e pela oferta restrita. Os analistas do ING descreveram a perspetiva para 2026 como "construtiva", sustentada pela procura de painéis solares e tecnologias de baterias.
Metais básicos
O Morgan Stanley também favorece o alumínio e o cobre devido às restrições de oferta em curso e à crescente procura.
• Cobre: Os preços na Bolsa de Metais de Londres atingiram um máximo histórico de 13.387,50 dólares por tonelada esta semana, impulsionados pela procura de importação dos EUA e pelas persistentes perturbações nas minas.
• Alumínio: A oferta continua restrita fora da Indonésia, enquanto a retoma das compras por parte dos EUA pressionou os preços em alta.
• Níquel: Os preços subiram 5,8% para 17.980 dólares por tonelada, o valor mais elevado desde outubro de 2024, impulsionados pelos riscos de interrupção do fornecimento na Indonésia. No entanto, o banco alertou que grande parte deste risco pode já estar precificado.


